Malta – Conhecendo sua história


A história de Malta inicia antes mesmo de Cristo e é um dos lugares mais antigos do mundo. Com um mix de diversas culturas. As Ilhas foram cenário de vários acontecimentos que marcaram o país. O arquipélago de Malta passou por quase todas as fases na história e em seu território existem marcas de quase todas as civilizações.

Os templos megalíticos espalhados pelas ilhas, as antigas cidades romanas, as antigas igrejas medievais, a influência na língua que os árabes deixaram, o misticismo dos Cavaleiros, a época britânica, tudo cheira história em Malta. Caminhar pelas suas ruas, deixam qualquer visitante com brilho no olhar.

A história de Malta começa bem antes da era cristã, os primeiros registros são de 5000 a.C. quando hominídeos vindos da Sicília começaram a povoar a ilha de Gozo e Malta. As primeiras comunidades criaram Templos para exaltar a Deusa Mãe por volta de 3600 à 2500 a.C., ou seja, antes mesmo das pirâmides do Egito serem construídas.

OS POVOS QUE PASSARAM POR MALTA

1000 a.C.

A partir de 1000 a.C., os Fenícios tomaram posse das terras de Malta e utilizavam as Ilhas como ponto de abastecimento de suas rotas comerciais. Eles deram à Ilha o nome de ‘’Malat’’, que significa refúgio seguro, e é a versão original do atual nome da mesma. Após isso os gregos se apossaram das terras e logo depois os cartagineses, vindos do Norte da África.


218 a.C.

Durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.), Malta foi tomada pelo Império Romano, quando viveu um período de alta prosperidade, onde houve aumento no tamanho das cidades e uma grande melhoria urbana, além de seu nome ter passado a ser Melita.

60

Segundo a Bíblia, em 60 d.C. São Paulo desembarcou na Ilha, espalhando sua palavra e fazendo com que os malteses aderissem o Cristianismo, religião que nos dias atuais ainda tem o maior número de fiéis na região.

533

Os bizantinos se apossaram da Ilha e permaneceram até 870d.C., quando os árabes tomaram conta do lugar e tiveram papel extremamente importante na formação da cultura do país, como por exemplo o idioma oficial que hoje é o maltês.


1090

Foram expulsos pelos normandos da Sicilia, e no século XIII Malta passou a fazer parte do território Siciliano. Pouco tempo depois, os árabes recuperaram o poder das terras maltesas, o que não durou muito, já que em 1245 foi tomada novamente e permaneceu sendo dominada por vários líderes, um atrás do outro, até 1283 quando a Espanha cedeu a Ilha aos Cavaleiros da Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, por quem foi governada até o fim do século XIX.

Durante esse período, foram construídas cidades, palácios, jardins e igrejas que acrescentaram ao local beleza, arte e muita cultura. Além disso, os Cavaleiros foram responsáveis pela fundação da atual capital do país, Valetta e por dar à Ilha seu distintivo, a Cruz de Oito Pontas.


1798

Napoleão Bonaparte invadiu Malta em 1798, expulsando os Cavaleiros, porém sua liderança não durou muito tempo. Os malteses se rebelaram contra os franceses e com a ajuda da Grã-Bretanha obtiveram sucesso, tendo em 1800 a chegada dos Ingleses e, com o Tratado de Paris em 1814, voluntariamente tornando-se uma colônia da Inglaterra, que também teve grande influência para a cultura local. Malta adotou o horário comercial, idioma, condução pela esquerda, entre outros costumes e características inglesas.

CURIOSIDADES: Na época que Napoleão ocupou Malta, os Malteses pintaram todo o interior das igrejas de preto e vermelho, para esconder o ouro das tropas de Napoleão e não serem saqueados. Dessa maneira eles conseguiram preservam grande parte das suas relíquias.

Durante a Segunda Guerra Mundial, resistiu às forças militares alemãs e italianas, por quem teve suas cidades bombardeadas e transformadas em cinzas, e como reconhecimento por sua força, o rei britânico Jorge VI, deu a Malta a cruz de São Jorge, que hoje é representada na bandeira do país.

INDEPENDÊNCIA DE MALTA

Após ser dominada por vários povos, em 1964 Malta finalmente passou a ter seu próprio governo, porém, somente em 1974 que se desvinculou da Inglaterra total e definitivamente. Pouco tempo depois, foi admitida no Conselho da Europa e passou a ser membro da Commonwealth e das Nações Unidas.
Em 1990, o país solicitou formalmente sua aceitação na União Europeia e, após questões políticas atrasarem o processo, em 2004 se tornou oficialmente parte do grupo, recebendo fundos para serem usados na melhoria de suas cidades e na preservação de seu patrimônio histórico, que como podemos ver, não é pequeno.

MDINA – A ANTIGA CAPITAL DE MALTA

Mdina é uma cidade amuralhada que possivelmente foi fundada em 700 a.c. pelos fenícios, mas que foi habitada por diversos povos. Durante o período romano foi apelidada de Citta Vecchia, e pouco tempo depois, foi dominada e teve grande influência árabe, principalmente em seu atual nome que inclusive vem do arábico, da palavra Medina que significa ‘’cidade’’ ou ‘’vilarejo’’.

Foi capital de Malta até 1570, quando os Cavaleiros da Ordem construíram Valletta, após chegarem ao país, e a mesma passou a ser a nova capital. Além disso, os Cavaleiros construíram edifícios que permanecem em pé até hoje em dia e contribuem para a história da cidade.

Após Valletta se tornar a capital de Malta, Mdina ficou conhecida como a cidade do silêncio, e assim permanece até hoje, principalmente durante a noite, quando a maioria dos turistas já deixou o local e é possível apreciar o silêncio da cidade. Para fazer jus ao apelido, o comércio em geral possui regras restritivas em relação a ruídos e barulhos, e poucos são os que têm acesso a carros dentro da cidade.

Embora bem pequena, Mdina é cheia de pontos turísticos, como por exemplo a Catedral de São Paulo que foi reconstruída pelos Cavaleiros após um terremoto, o Palácio Vilhena que é um edifício Barroco e conta com o Museu de História Natural em seu interior, as capelas de Santa Ágata e São Nicolas, entre outros.

Mdina é uma cidade extraordinária. A sensação é que tem algo mágico no ar, que somos transportados de alguma maneira para outro tempo, para outra época. E além de toda a história, a cidade já foi cenário de diversos filmes, seriados e o mais famoso entre eles, Game of Thrones.

CONHECENDO VALLETTA – ATUAL CAPITAL DE MALTA

Em 1565, tropas Turcas consideradas inimigas, cercaram a ilha de Malta para tentar exterminar os Cavaleiros da Ordem a mando do líder Otomano Solimão, O Magnífico, o que durou cerca de 4 meses, até que reforços vindos da Sicília chegaram e colaboraram fazendo com que os turcos se retirassem. Após a batalha, os soldados se alojaram em diversos locais da ilha, principalmente em uma pequena península entre dois portos, que futuramente viria a se tornar Valetta.

Os povoados começaram a se desenvolver e foi construída uma torre (Torre de Santo Elmo) no meio da cidade para proteger e defender a mesma. Com o decorrer do tempo, o grão-mestre dos Cavaleiros, Jean Parisot de la Vallette, percebeu que eles pretendiam permanecer na Ilha, e então começou o projeto de uma cidade fortificada para manter a segurança dos moradores e soldados, caso ataques externos voltassem a acontecer.

Projeto esse que recebeu aprovação do Papa e do Rei da Espanha, que chegaram até a disponibilizar um engenheiro militar para ajudar na construção, iniciando as obras em 1566 e concluindo a cidade em 1568, transformando Valletta na primeira cidade planejada da Europa, foi onde recebeu o nome de La Valletta em homenagem a seu grão-mestre, que na época já havia falecido.

No Século XVI, La Valletta teve um grande crescimento, tanto populacional pelo fato de várias pessoas se deslocarem de diversas partes da Ilha para se alojarem em um lugar seguro, e devido a fortaleza ao seu redor, escolhendo a cidade, tanto quanto em relação à seu patrimônio, pois foram construídos diversos palácios e igrejas no estilo Maneirista, que foi um movimento artístico muito famoso na época.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade sofreu fortes bombardeios das forças alemãs e italianas, mas isso não impossibilitou que Valletta se reerguesse rapidamente. Hoje em dia, ainda é possível visualizar as marcas que esse período deixou.

Valletta é uma das menores capitais da Europa, mas também uma das mais charmosas. O centro histórico de Valletta é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1980 e é considerada a Capital Europeia da Cultura.

Além de ser capital de Malta, também é o centro econômico e administrativo do país, tem grande importância cultural e mais de 300 monumentos, o que contribui muito para o turismo no local. Alguns dos principais pontos turísticos da cidade são:

CITY GATE AND TRITON FOUNTAIN – PORTÕES DA CIDADE E FONTE DE TRITÃO – VALLETTA – MALTA

Os portões ficam na entrada da cidade e foram reconstruídos em 2014, lembram muralhas da Idade Média. É onde inicia a Rua do Comércio, que atravessa a cidade inteira. Na frente dos portões, é possível encontrar a Fonte do Tritão, que possui três tritões que sustentam uma bandeja e estão equilibrados por algas marinhas.

A fonte representaria as ligações de Malta com o mar, e se tornou um dos principais pontos turísticos estampados em cartões-postais, pois encanta os olhos tanto durante o dia quanto a noite, quando os tritões estão todos iluminados na cor azul.

Ao redor do local, também é possível encontrar o prédio moderno onde é o Parlamento de Malta e o que sobrou do Royal House Opera, que foi destruído na Segunda Guerra, mas que hoje é um teatro ao ar livre onde são vendidos vários souvenires.

ST. JOHN’S CATHEDRAL – VALLETTA – MALTA

É a principal igreja de Valetta, foi construída de 1573 à 1578, pelos Cavaleiros da Ordem e pode ser considerada um templo barroco de Malta. Por fora, sua fachada é simples, mas seu interior barroco é exuberante e completamente decorado. A varanda tem uma grande importância, pois foi nela que foi anunciada a eleição do grão-mestre da Ordem. No chão, com lápides de mármore, foi decorado com o brasão e é onde estão foram enterrados os Cavaleiros, já o altar, foi feito em ouro, prata, bronze e pedras preciosas.

A catedral é formada por 8 capelas que representam os idiomas da Ordem, cada uma delas é decorada com os símbolos da nacionalidade que representa, um show de história e cultura. Dentro da igreja, também está exposta a obra-prima de Caravaggio: ‘’A decapitação de S. João Batista’’, que foi o único quadro assinado pelo pintor.

O acesso ao interior da catedral é pago e custa 15€ por adulto, sendo que crianças e estudantes pagam 12€.

GRANDMASTER’S PALACE – PALÁCIO DO GRÃO MESTRE – VALLETTA – MALTA

É onde residiu Jean de la Vallette, grão-mestre dos Cavaleiros e quem iniciou o projeto de Valletta, e que hoje, abriga o escritório do presidente de Malta. Foi um dos primeiros palácios construídos na cidade e há cada 25 minutos ocorre a troca de guarda na parte da frente do edifício, podendo ser assistida pelo público. O palácio é dividido em duas áreas públicas: State Room e Palace Armoury.

State Room – Grandmaster’s Palace: É possível encontrar a Câmara do Conselho, a sala de jantar oficial e a sala do embaixador, onde ainda recebe-se alguns diplomatas e estrangeiros. Sem contar nas pinturas nas paredes, que representam o Grande Cerco de Malta.

Palace Armoury – Grandmaster’s Palace: É a famosa ‘’sala de armas’’, onde se encontra uma coleção de quase 7mil peças de armaduras, canhões, armas, espadas, entre outros itens que foram usados pelos Cavaleiros da Ordem e lembram a época medieval.
Essa coleção é considerada um dos monumentos históricos mais valiosos da cultura europeia, deixando os amantes da idade média deslumbrados.

O valor da entrada para adultos é 10€, para jovens de 12 à 17 anos ou pessoas com mais de 60 é 7€, e para crianças de 6 à 11 anos é 5€.

UPPER BARRAKA GARDENS E LOWER BARRAKA GARDENS – VALLETTA – MALTA

São dois jardins localizados no centro de Valetta, ideais para quem quer ter uma vista ampla das três cidades (Senglea, Vittoriosa e Kalkara).


O Upper Barraka Garden tem uma visão ampla da Bateria de Saudação que acontece diariamente ao meio dia e às 16 horas, onde é disparado um tiro de um dos canhões em direção ao mar, uma atração turística popular.

Já o Lower Barraka Garden, era o local preferido dos cavaleiros para observar o Mar Mediterrâneo e os veleiros que se aproximavam das ilhas maltesas. A torre sineira possui o sino de Santa Maria que toca todos os dias ao meio dia e presta homenagem aos que morreram durante o cerco de Malta na Segunda Guerra Mundial.

A entrada nos jardins é gratuita e eles são abertos diariamente.

FORTE DE ST. ANGELO – VITTORIOSA – MALTA

Fica em Vittoriosa, uma das Três Cidades e serviu de refúgio durante ataques frequentes que o país sofria. O Forte forneceu segurança ao porto e aos habitantes da área. O passeio por ele é extremamente interessante, você consegue ver de perto parte da história do país e ao caminhar pelo lugar que tanto o protegeu, a sensação é única. Você pode escolher se sua visita será com tour guiado em público ou se será individual, o ingresso custa em torno de 8€.

Além desses pontos turísticos, há muitos outros como o Museu de Arqueologia, a Igreja dos Naufrágios de São Paulo, Os Jardins de Hastings, La Sacra Infermeria, Teatro Manoel, e inúmeros lugares incríveis para visitar na cidade. Sem contar em suas praias e paisagens de tirar o fôlego.

DICA: Fique de olho na agenda cultural da cidade. Eles sempre oferecem espetáculos e shows incríveis.

Como pudemos ver, a história de Malta não é nem um pouco recente e em todos os lugares que vamos é possível ver um pouquinho dela.

E você, ficou ansioso pra visitar e conhecer de perto esses lugares extraordinários?


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