San Pedro Cachapoal Andes: a vinícola ícone pouco conhecida no Brasil

Uma vinícola que poucos brasileiros conhecem, mas que deve fazer parte do seu roteiro pelo Chile – Viña San Pedro Cachapoal Andes.

A Viña San Pedro faz parte do grupo VSPT – resultado da fusão entre a  San Pedro e a Tarapacá, formando a Viña San Pedro Tarapacá Wine Group, hoje entre os 20 maiores produtores de vinho do mundo, líder em vendas de vinhos e espumantes premium no Chile e um dos dez maiores players do mercado doméstico argentino. Números grandes, mas o que vem dessa vinícola específica é raro: apenas 1% de tudo o que o grupo produz sai dali, o suficiente para explicar o cuidado quase artesanal que senti em cada etapa da visita.

A Vinícola San Pedro – Viña San Pedro Cachapoal Andes

A bodega fica a apenas uma hora de Santiago, no setor de Requínoa, no Valle do Cachapoal Andes, uma denominação de origem própria, situada aos pés da Cordilheira dos Andes, a cerca de 500 metros de altitude.

A geografia do lugar é incrível. A pré-cordilheira funciona quase como um anfiteatro natural ao redor dos vinhedos, e isso, além do lindo visual, é funcional: as montanhas protegem e regulam a plantação, formando um microclima especial. Essa formação, somada à forte diferença de temperatura entre o dia e a noite, faz as uvas amadurecerem mais devagar e é justamente isso que dá aos vinhos mais acidez, taninos elegantes e um potencial maior de guarda. 

O terroir muda de um lado para o outro do próprio vinhedo. Uma parte olha para o norte, outra para o sul, e cada uma recebe sol, vento e umidade de um jeito diferente. Por isso cada setor foi pensado para uma casta específica, pois o solo que funciona para uma uva não é o mesmo que funciona para a do lado, e é esse detalhe que dá a cada vinho sua própria personalidade.


O nome San Pedro já circulava entre os grandes… ainda no século 19, os vinhos chilenos disputavam espaço com as marcas mais renomadas do mundo em exposições internacionais: Viena (1873), Bordeaux (1882), Liverpool (1885), Paris (1888) e Barcelona (1888). Foi justamente em Paris e Barcelona que a Viña San Pedro se destacou entre os melhores: seu vinho tinto levou medalha de prata e diploma de honra. No ano seguinte, a vinícola foi reconhecida também na Exposição Universal de Paris de 1889, a mesma que inaugurou a Torre Eiffel.

Nos anos 1990, a vinícola San Pedro decidiu criar um vinho ícone capaz de competir com os padrões internacionais mais altos. Nascia assim o Cabo de Hornos, fruto de mais de 50 anos de história vitivinícola. O nome é uma homenagem ao ponto mais austral do Chile continental, onde o Oceano Pacífico encontra o Atlântico com uma força quase violenta.

Em 2001, a San Pedro firmou uma aliança estratégica com a Château Dassault, da França, com o objetivo de criar vinhos ícone e super premium no estilo do Velho Mundo, mas com a alma do terroir chileno. Dessa parceria nasceram Altaïr e Sideral. No mesmo ano, foi fundada a Vinícola San Pedro Cachapoal Andes, com a missão de produzir, promover e distribuir os vinhos mais nobres do grupo VSTP: Altaïr, Cabo de Hornos e Sideral.

Os diferentes tipos de solos encontrados aqui nos vinhedos da Viña San Pedro Cachapoal Andes.

O trio ícone da vinícola San Pedro: Sideral, Altaïr e Cabo de Hornos

Provamos os três vinhos que hoje nascem exclusivamente no Valle del Cachapoal Andes, feitos a partir dos 150 hectares plantados na propriedade. Todos são premiados safra após safra e o mais recente Cabo de Hornos 2023 carrega mais um selo: foi eleito o melhor Cabernet Sauvignon chileno pelo Guia Descorchados.

Uma das partes que mais gostei da visita foi justamente a adega de vinificação. Como o nosso guia Vicente descreveu, aquele espaço parece uma sala de brinquedos reservada só para o enólogo experimentar aromas, texturas e perfis de cada uva, buscando extrair delas a máxima expressão possível. E para fazer esses ensaios e experiências eles usam diferentes estilos de recipientes:

Tulipas de concreto italianas, que deixam a fermentação mais controlada

O Galileo giratório, único na América do Sul

Concreto vindo da França

Fudres (tonéis grandes de madeira) trazidos da Áustria

Cerâmicas italianas, incluindo os chamados “ovos de dinossauro”. Ânforas que deixam o vinho mais fresco e com mais estrutura.

Cada material entrega um resultado diferente e deixa suas marcas no vinho. É quase alquimia e dá pra sentir isso na taça depois.

San Pedro Sideral – sempre tenho em casa

Se você me acompanha no Instagram, já sabe: Eu tenho um carinho especial pelo Sideral, ele é o vinho que eu sempre tenho em casa. Tem um ótimo custo-benefício e é fácil de beber. Eu acho ele fresco e ao mesmo tempo aveludado.

O nome vem do latim sideralis, “constelação”, e representa exatamente isso: o equilíbrio perfeito entre as qualidades de cada uva, combinadas num incrível blend

A colheita é manual, com uma seleção bem cuidadosa das uvas, que são resfriadas com gelo seco (inclusive eles produzem o próprio gelo seco na vinícola) antes de fermentar, isso ajuda a tirar cor e aroma delas com mais suavidade. A maior parte do vinho passa 16 meses em barricas de carvalho francês (20% delas novas) e o restante em fudres, com mais 4 meses de descanso na garrafa antes de sair da vinícola.

Altaïr – o meu preferido da Vinícola San Pedro

O Altaïr leva o nome de uma das estrelas mais brilhantes do céu. As uvas são plantadas mais acima no sopé da cordilheira, num terroir que nasceu de erupções vulcânicas e terremotos antigos. O sol forte do dia e o frio da noite concentram as uvas e deixam os taninos mais refinados, resultando num vinho que carrega a base geológica dos Andes dentro de si.

O amadurecimento é longo: 22 meses no total. Nos primeiros 16, o vinho passa por barricas de carvalho francês, fudres e o exclusivo Galileo rotatório, onde acontece naturalmente uma segunda fermentação que deixa o vinho mais macio e redondo. Depois da mistura final, ele ainda descansa mais 6 meses em fudres e 12 meses na garrafa.

Cabo de Hornos, o encontro de dois oceanos

Já contei a história de nascimento do Cabo de Hornos, inspirado no ponto onde o Pacífico encontra o Atlântico. É um vinho 100% Cabernet Sauvignon, colhido à mão, em caixas de 10kg, com seleção cuidadosa de cada cacho e cada baga.

Depois de uma maceração a frio e passar por uma fermentação cuidadosa, que ajuda a extrair a cor e os taninos das cascas, o vinho envelhece por 22 meses: primeiro dividido entre fudres, barricas de carvalho francês e ânforas de argila, depois finalizado em barricas maiores. O resultado é o vinho que, na safra 2023, foi coroado o melhor Cabernet Sauvignon do Chile.

Por trás desse trio está Gabriel Mustakis, enólogo-chefe dos vinhos ícones da Viña San Pedro e recém-eleito “Melhor Enólogo do Chile” pelo Guia Descorchados 2026.

O Valle del Cachapoal Andes tem terroir de sobra para produzir vinhos de classe mundial e o grupo VSPT, reconhecido pelo sétimo ano consecutivo como a empresa mais inovadora do setor vitivinícola no Ranking Most Innovative Companies 2025, segue provando isso.

A visita na Vinícola San Pedro

Fomos recebidos com um grande sorriso pelo Vicente Elton, responsável pelo turismo da Viña San Pedro e um cafezinho de boas-vindas.

Já tinha tido o prazer de conhecer o Vicente antes, num evento de vinhos no Valle del Cachapoal, onde provei outros rótulos da San Pedro e, naquela ocasião, ele abriu uma garrafa de Altaïr especialmente para mim. Até então, o Altaïr era um dos vinhos ícones chilenos que eu ainda tinha na minha lista para provar e o Vicente gentilmente me ajudou a riscar esse item. Foi tudo o que eu esperava e já tinha lido sobre o vinho: me encantei, e  não vejo a hora de provar outra taça.

Nessa visita à vinícola, ele nos apresentou cada detalhe, explicou todo o processo e nos levou por diferentes partes e histórias da San Pedro, encerrando essa primeira etapa com a degustação do incrível trio Cachapoal Andes.

Adorei o ritmo da visita! Tudo com calma, com tempo, sem pressa. Mesmo sendo uma vinícola grandiosa, não é um tour em massa, é uma experiência conduzida com atenção.

Depois, seguimos para o quincho da Viña San Pedro, onde tivemos um almoço harmonizado com uma vista maravilhosa para os vinhedos. Fomos num dia de inverno com muita chuva e frio e os vinhedos, ainda assim, pareciam mágicos. 

A Viña San Pedro ainda não é uma vinícola tão conhecida do público brasileiro. Quem chega até ela, normalmente, já conhece o potencial dos seus vinhos e vai atrás exatamente disso. Não é parada de roteiro básico, é escolha de quem quer ir além do óbvio no enoturismo chileno. Saiba mais sobre a Viña San Pedro aqui.

Quero muito poder voltar para fazer o tour astronômico no verão. Você sabia que o céu do Chile é um dos mais incríveis do mundo para observação? Já estou ansiosa para admirar as estrelas do meio dos vinhedos da Viña San Pedro Cachapoal Andes, com uma taça de Altair nas mãos.

E é exatamente esse tipo de experiência que buscamos trazer através da Terroir Collection: vinícolas que têm técnica, história e identidade, além de vinhos incríveis e uma vista cheia de magia. 

E você, já tinha ouvido falar da Viña San Pedro antes? Qual dos três ícones… Sideral, Altaïr ou Cabo de Hornos, mais te chamou atenção?

Se você quiser reservar essa visita (ou incluir a Viña San Pedro num roteiro maior pelos vales chilenos), me chama pelo e-mail contato@conhecendoomundo.com ou pelo Instagram @juliajasper_. Cuido de tudo, do agendamento à logística do seu dia.


Dica: no Instagram @TerroirCollection_ você acompanha os vídeos dessa visita. E aqui no blog, na seção Brinde ao Vinho, tem muito mais sobre enoturismo no Chile.

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