Viña Santa Rita: a Forbes elegeu a melhor vinícola do mundo

Eleita pela Forbes em 2025 como a melhor vinícola do mundo, a Viña Santa Rita é um ícone enológico chileno, é um dos projetos vitivinícolas mais completos e consistentes do mundo. Localizada no coração do Valle del Maipo, a apenas 45 minutos de Santiago, a vinícola reúne história, território, cultura, inovação e vinhos de excelência reconhecidos internacionalmente.

Além de produzir grandes rótulos, a vinícola Santa Rita construiu ao longo de mais de 140 anos um legado que atravessa gerações e se conecta diretamente com a história do Chile. Poder caminhar pela propriedade é entender por que este lugar foi escolhido como a melhor vinícola do mundo: aqui, nada é superficial, tudo tem raiz, contexto e história.

Nesta matéria, o convite é conhecer um pouco mais sobre a Viña Santa Rita, a segunda maior vinícola do Chile. 

Viña Santa Rita – uma vinícola que nasce junto com a história do Chile

Fundada por Domingo Fernández Concha em 1880, a Viña Santa Rita surge em um momento decisivo da viticultura chilena. Visionário, o fundador introduziu cepas francesas no Valle del Maipo, investiu em tecnologia e trouxe enólogos europeus, transformando para sempre a forma de produzir vinho no país.

Muito antes de ser reconhecida internacionalmente, a vinícola Santa Rita já fazia parte da história nacional. Durante o processo de independência do Chile, em 1818, 120 soldados patriotas encontraram refúgio na propriedade de Doña Paula Jaraquemada, episódio que mais tarde daria origem a um dos rótulos da vinícola: o 120.

Hoje, essa parte da propriedade pode ser visitada durante os diferentes tours oferecidos pela Viña Santa Rita. É ali que se encontra a antiga casa da fazenda, um dos núcleos históricos da vinícola, onde atualmente funcionam o Restaurante Doña Paula e a loja de vinhos. Aqui podemos entender como tudo começou: antes de se tornar uma das vinícolas mais importantes do mundo, este lugar era uma fazenda.

Foi a partir dessa base que Domingo Fernández Concha transformou a antiga hacienda na Viña Santa Rita, preservando as construções originais e integrando-as ao projeto vitivinícola. Hoje, ao visitar a vinícola, percorremos essas casas históricas, compreendendo a evolução do território e entendendo como a vinícola foi se estruturando ao longo do tempo.

Durante quase um século, a família García Huidobro deu continuidade ao legado iniciado por Domingo Fernández Concha, mantendo viva a vocação vitivinícola da propriedade e atravessando diferentes momentos da história do Chile. Foi apenas na década de 1980 que a vinícola entrou em uma nova fase, ao ser adquirida pelo Grupo Claro.

Essa etapa marcou um ponto de virada para a Viña Santa Rita. Grandes investimentos foram realizados, trazendo inovações tecnológicas, ampliando a presença internacional da marca e promovendo uma restauração completa de seu patrimônio histórico. O resultado foi a consolidação de um projeto que soube crescer sem romper com suas raízes, preservando sua identidade enquanto se posicionava entre as grandes vinícolas do mundo.

Essa conexão entre vinho e história não é um discurso construído. Ela está impressa no território, nas construções, nas caves e na memória coletiva que ainda habita o lugar.

Viña Santa Rita: terroirs do Chile e a construção de uma vinícola global

Reconhecida como uma das vinícolas com maior tradição vitivinícola do Chile, a Viña Santa Rita nasceu e se consolidou no Vale do Maipo – Valle del Maipo, uma das regiões mais emblemáticas do país e referência histórica para grandes vinhos, especialmente os tintos de perfil clássico.

Ao longo de mais de 140 anos, a vinícola Santa Rita construiu sua reputação a partir de consistência, identidade e respeito ao território. Eles expandiram seus projetos para outros vales importantes do Chile, como Valle de Colchagua (com aproximadamente 1.071 hectares plantados), onde se destacam projetos em Apalta; Valle de Casablanca (314 hectares), conhecido por seus brancos de clima frio; Valle de Leyda (90 hectares), com forte influência oceânica; Valle de Limarí (131 hectares), marcado por solos calcários; além dos Valles de Curicó (458 hectares) e Maule (131 hectares), regiões de longa tradição vitivinícola no Chile. Sendo os vinhedos no Valle del Maipo (cerca de 990 hectares), o coração histórico da Santa Rita e referência para grandes vinhos produzidos com a Cabernet Sauvignon e Petite Sirah, por exemplo.

Dessa maneira a vinícola Santa Rita abarca um portfólio diverso, com vinhos que expressam diferentes origens.  Esse percurso sólido levou a Viña Santa Rita a ocupar um lugar de destaque no cenário internacional, sendo hoje uma das principais representantes do vinho chileno no mundo, com presença em dezenas de países e reconhecimento contínuo por sua trajetória e qualidade.

Para entender como essa história se traduz na taça, vale conhecer alguns dos rótulos degustados durante a visita à vinícola. Viña Santa Rita: 16 rótulos que provamos na melhor vinícola do mundo – com preço


A força da Viña Santa Rita está diretamente ligada à essa diversidade em seus terroirs. Seus vinhedos distribuídos por mais de 3.000 hectares plantados, permitem trabalhar cada variedade em condições ideais de solo, clima e influência geográfica. Dessa maneira, os viticultores e enólogos da Santa Rita podem elaborar uma gama variada de vinhos, com identidade de origem bem definida, refletindo a singularidade de cada vale e reforçando a consistência e a qualidade que caracterizam o portfólio da vinícola.

Com mais de 140 anos de história, esse portfólio diverso, construído a partir de diferentes expressões do terroir chileno, levou a Viña Santa Rita a um reconhecimento consistente no cenário internacional. Ao longo dos anos, a vinícola foi indicada entre as “Top 100 Premium Wine & Spirits Brands” pelo Luxury Lifestyle Awards, recebeu o título de “Winery of the Year” pela Wine & Spirits e teve seu vinho ícone Casa Real Reserva Especial 1989 reconhecido pela Decanter como “Wine Legend”, tornando-se o primeiro vinho da América do Sul a alcançar essa distinção. (Essas são somente algumas das indicações e prêmios que a vinícola Santa Rita possui, além de apresentar pelo 5º ano consecutivo o melhor Carménère do Chile).

Hoje, a Viña Santa Rita se posiciona como uma das três maiores exportadoras de vinho do Chile, com presença em mais de 50 países, levando a identidade do vinho chileno para os principais mercados internacionais.

O reconhecimento também se estende à sua atuação em enoturismo. A vinícola foi eleita pela Organização Mundial do Enoturismo (OMET) como a Melhor Experiência de Enoturismo Responsável do Mundo, além de figurar em diversas edições do ranking World’s Best Vineyards, que destaca as melhores vinícolas do planeta para visitação. Prêmios nacionais e internacionais reforçam esse posicionamento, como o título de Melhor Experiência de Enoturismo do Chile e o reconhecimento por suas práticas sustentáveis.

Visitar a Viña Santa Rita é, portanto, mais do que conhecer uma vinícola premiada. Para quem deseja viver essa experiência de forma ainda mais completa, a hospedagem no Hotel Casa Real, localizado dentro da propriedade, permite acompanhar de perto o ritmo da vinícola e ocupar a antiga casa de Domingo Fernández Concha.

Hotel Casa Real: hospedagem histórica na melhor vinícola do mundo Na matéria dedicada ao hotel, conto como é se hospedar em um monumento histórico, circular livremente pelos jardins e viver a proposta de se sentir dona da vinícola. Uma leitura complementar para quem quer entender por que a Santa Rita é considerada uma das experiências enoturísticas mais completas e ganhou o prêmio pela Forbes de Melhor Vinícola do Mundo.

Um território localizado na zona pré-cordilheirana de Alto Jahuel, em Buin, muito perto da Capital Chilena, onde convivem natureza, história, cultura e gastronomia. Uma curiosidade interessante é que, justamente por essa proximidade com Santiago e pelo alto nível de preservação histórica e patrimonial, a Viña Santa Rita costuma ser incluída no roteiro de visitantes ilustres que passam pelo Chile. Autoridades, líderes políticos, representantes diplomáticos e personalidades internacionais frequentemente visitam a vinícola como forma de conhecer, em um único lugar, parte essencial da história, da cultura e do vinho chileno.

Para quem deseja aprofundar essa vivência e ter sua própria experiência, a vinícola oferece diferentes tipos de tours, pensados tanto para iniciantes quanto para apreciadores experientes. Os percursos permitem conhecer o processo de elaboração dos vinhos, explorar o patrimônio histórico da propriedade e degustar alguns dos rótulos mais representativos da casa. Os tours estão disponíveis em espanhol, português e inglês, em diferentes horários, de segunda a domingo, e incluem opções clássicas, experiências premium, passeios de carruagem, experiências com Carmenère, piqueniques e atividades imersivas como o Winemaker Experience.

Carmenère no Chile: Viña Santa Rita, Viña Carmen e o redescobrimento dessa variedade 

Poucas uvas estão tão ligadas à identidade da Viña Santa Rita quanto a Carmenère. Originalmente cultivada em Bordeaux, essa variedade foi considerada extinta na Europa após a filoxera e permaneceu, por décadas, confundida com o Merlot nos vinhedos chilenos. Foi apenas em 1994 que a Carmenère foi oficialmente redescoberta no Chile, encontrando aqui as condições ideais para expressar todo o seu potencial.

A Santa Rita teve papel central nesse processo de valorização da cepa. Em especial no Vale de Apalta, onde solos, clima e exposição permitem uma maturação completa, a Carmenère ganha estrutura, frescor e complexidade aromática. O trabalho criterioso no vinhedo e na vinificação ajudou a reposicionar a uva como um dos grandes símbolos do vinho chileno no cenário internacional. E como mencionei anteriormente, produzindo um dos vinhos ícones da casa, o Pewën de Apalta que vem ganhando pelo 5º ano consecutivo o melhor Carménère do Chile.

Aproveito para fazer aqui uma observação bem pessoal. Sei que no Brasil, algumas pessoas ainda apresentam certa resistência ou desconfiança quando se trata de Carménère, mas se a ideia for conhecer um grande exemplar dessa uva, vale provar o Pewën de Apalta e depois tirar as próprias conclusões. A experiência, costuma falar mais alto do que qualquer ideia formada antes da taça.

A Carmenère representa a capacidade da vinícola de unir história, território e conhecimento técnico para transformar uma uva quase esquecida em um emblema nacional.

Durante um dos tours que realizamos, foi possível conhecer exatamente o local onde a Carmenère foi redescoberta no Chile. Essa descoberta aconteceu a partir da Viña Carmen, vinícola que faz parte do mesmo grupo da Viña Santa Rita. Aqui ocorreu o episódio que mudou o rumo do vinho chileno, reposicionando o país no mapa mundial da viticultura.

Patrimônio cultural – Vinícola Santa Rita

Além do vinho, a Viña Santa Rita se distingue por preservar e integrar cultura como parte essencial da experiência. Caminhando pela propriedade, percebemos como o vinho dialoga constantemente com a história e a arte.

Curiosidade histórica Décadas depois da fundação da vinícola, María Luisa Fernández Concha Bascuñán, filha de Domingo Fernández Concha, casou-se com Vicente García Huidobro na capela adjacente ao atual Hotel Casa Real. O casal teve seis filhos, entre eles o poeta chileno Vicente Huidobro, uma das grandes figuras da literatura do país, que passou temporadas nesta antiga casa de veraneio da família.

Museu Andino: um patrimônio cultural – Viña Santa Rita

No coração dos antigos vinhedos do Valle del Maipo, aos pés da Cordilheira dos Andes, está o Museu Andino, pertencente à Fundación Claro Vial. Inaugurado em 2006 e integrado à Lei de Doações Culturais, o museu abriga mais de 3.000 peças arqueológicas e etnográficas que representam os povos pré-colombianos do território andino, além de expressões da fusão cultural entre a América e o Chile.

Com entrada gratuita, o Museu Andino amplia a compreensão do território onde a Viña Santa Rita está inserida, complementando o conjunto formado pelas casas históricas, adegas e pelo parque centenário. É um espaço que reforça a dimensão cultural da vinícola e ajuda a entender por que este lugar vai muito além da produção de vinhos.

Uma curiosidade importante faz parte dessa história recente. Há poucos anos, uma das salas do museu,  conhecida como “Sala del Oro”, foi alvo de um roubo que resultou na perda de peças de valor histórico e cultural inestimável. Pensando pessoalmente, fica a esperança de que essas peças tenham sido levadas como parte de algum tipo de encomenda, talvez para permanecerem preservadas em algum lugar do mundo, e não simplesmente derretidas para a extração do ouro. A perda seria irreparável, e levaria toda a história e o significado que essas peças carregam.

Durante a visita ao Museu Andino, também é possível compreender com clareza o percurso cultural e histórico do Chile, observando a transição e as mudanças vindas com o tempo, de norte ao sul do país. O acervo permite visualizar como essas civilizações se desenvolveram, se encontraram e formaram a identidade que conhecemos hoje, oferecendo uma leitura profunda e contextualizada da história chilena.

O vinho nasce da terra… e a terra guarda histórias. Entender quem viveu aqui antes muda a experiência. Poucas vinícolas têm esse cuidado com a cultura, o patrimônio e a antropologia. O museu, é parte viva disso.

Na matéria sobre o Hotel Casa Real, conto mais sobre a história da propriedade, do território, dos jardins e do contexto histórico que envolve a vinícola, elementos que também ajudam a compreender a importância cultural da Viña Santa Rita para o Chile.

Gastronomia na Viña Santa Rita

A gastronomia é parte importante da experiência na Viña Santa Rita e se conecta diretamente com o vinho e com a história da propriedade, sendo um dos pilares que fez que a Vinícola fosse eleita a melhor do mundo pela Forbes.  

O restaurante do Hotel Casa Real tem uma proposta gastronômica pensada exclusivamente para quem está hospedado no hotel. Os menus são elaborados em conjunto por chefs e enólogos, sempre com foco na harmonização com os vinhos premium e ultra premium da casa, explorando diferentes vales, castas e ingredientes sazonais. A experiência à mesa faz parte da própria hospedagem e reforça a sensação de viver a vinícola de dentro.

Para quem quer conhecer mais sobre como é dormir, acordar e jantar dentro da melhor vinícola do mundo, clique aqui para ler a matéria dedicada ao Hotel Casa Real.

Já o Restaurante Doña Paula, instalado na casa histórica da antiga fazenda, é aberto a visitantes e é reconhecido como um dos melhores restaurantes de vinícolas do Chile. A cozinha combina gastronomia crioula e internacional em um ambiente clássico, mantendo viva a memória do lugar onde parte da história da Santa Rita começou.

Por fim, o Café La Panadería ocupa a antiga padaria da fazenda, onde no passado se produzia o pão para os trabalhadores e suas famílias. O forno original, utilizado naquela época, foi preservado e ainda hoje faz parte do espaço, reforçando a ligação direta com o cotidiano da antiga hacienda. Ao lado, é possível ver também parte da chamada “locomotiva de sangue”, como era conhecido o antigo sistema de transporte interno da propriedade, puxado por cavalos, que cruzava toda a fazenda e se conectava às principais linhas ferroviárias do Chile. Hoje, esses elementos ajudam a compreender a dimensão histórica e logística da antiga fazenda, integrados de forma natural à experiência do visitante.

Ao redor desse núcleo histórico está o chamado Pueblito Santa Rita, que se refere a essa parte da propriedade. Trata-se de um conjunto de construções e espaços que concentram loja de vinhos, o café, restaurante e áreas de convivência, mantendo viva a atmosfera de uma pequena vila dentro da vinícola. Em diferentes épocas do ano, o pueblito também recebe feiras de artesanato, eventos culturais e encontros que reforçam a ligação entre a Santa Rita, a comunidade e a cultura local.

Fique aqui com mais detalhes do que vivemos na Viña Santa Rita.

Curiosidade sobre a produção da Viña Santa Rita: a vinícola produz cerca de 12 mil vinhos por hora, o que equivale a aproximadamente 300 mil vinhos por dia e cerca de 100 milhões de garrafas por ano. As garrafas são vedadas com rolhas naturais vindas de Portugal e outras com o modelo screw cap (tampa de rosca). Um detalhe pouco conhecido é que a Santa Rita produz suas próprias garrafas, atendendo não apenas a produção interna, mas também outras empresas do setor.

Para quem está hospedado no Hotel Casa Real, a proposta é justamente essa: sentir-se dona da vinícola. Caminhar livremente pelo pueblito, circular pelos jardins, entrar nos restaurantes, sentar para um café ou uma taça de vinho e explorar a propriedade no próprio ritmo. Tudo é pensado para que o hóspede viva o espaço com naturalidade, como se estivesse em casa, ampliando ainda mais a sensação de pertencimento e de imersão na história da Viña Santa Rita.

Te convido a continuar essa viagem e conhecer mais histórias, imagens e bastidores dessa e de outras experiências no meu Instagram. Acesse aqui: @juliajasper_ 

Para aprofundar a leitura, confira também:

Hotel Casa Real: hospedagem histórica na melhor vinícola do mundo

Viña Santa Rita: 16 rótulos que provamos na melhor vinícola do mundo – com preço

Acesse também o site da Viña Santa Rita e conheça mais sobre o universo que eles oferecem!

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